Quando minha Elisa nasceu, fiquei esperando ansiosamente pelo “bum” de sentimentos, coragem e instinto materno.
Não chegou magicamente como me falaram e foi confuso. Confuso por eu estar com senso de proteção maior do que a sensação de amor incondicional. Confundo por eu não me sentir uma leoa, mas um ser vulnerável com seu bichinho no colo acuada depois do grito de uma enfermeira, quando pedi ajuda, por minha recém nascida não estar respirando. Confuso por eu não saber um punhado de coisas que aparentemente dependiam só de mim.
Me lembro da sensação em sair do hospital com aquele bebezinhos nos braços e medo de que algo acontecesse com meu marido, uma vez que éramos apenas nós três.
Chorei de felicidade por estarmos indo para casa, chorei de medo por estarmos indo pra casa.
Quando chega um bebê, esquecem que esse bebê já não nasceu filho, mas a mulher que o gerou e pariu; ainda está se tornando mãe pela 1º vez.
É assustador. Avassalador. Incrível. Profundo. Intenso.
Diante de sensações e sentimentos assim, uma frase ecoava na minha cabeça, toda as vezes que alguém falava que nasce um bebê nasce uma mãe: CADÊ A MÃE DAQUI?
